Jogo de mistério online: o caso do sítio abandonado

Jogo de mistério online: o caso do sítio abandonado

Quer um jogo de mistério online para jogar agora, direto no celular ou no computador, sem baixar nada? Em “O caso do sítio abandonado”, você é a Helena, uma apresentadora de podcast que chega a um sítio onde um homem sumiu em 1998 e ninguém nunca explicou direito.

Dá para explorar a casa, o celeiro e o poço em qualquer ordem, e o que você encontra muda o final. Tem três pistas escondidas e dois finais. Se você achar tudo, a história termina de um jeito. Se não, de outro. Boa sorte, e não demore: a noite cai rápido por lá.

O caso do sítio abandonado

Suas pistas: caderno de contaschave pequenarelógio de pulso

Você é a Helena e apresenta um podcast sobre casos que a polícia deixou para lá. O de hoje é o do Sítio Ventura, na estrada de terra depois de Santa Rita do Vale.

Em maio de 1998, Raimundo Ventura saiu de casa numa noite e nunca mais foi visto. Disseram que fugiu de dívidas. O irmão dele, Aurélio, herdou o sítio, deixou o mato tomar conta e, segundo os vizinhos, nunca mais pisou lá.

Você chega no fim da tarde, com gravador, lanterna e uma única barra de sinal no celular. A porteira está aberta. Tem uma corrente nela, e a corrente é nova. Ninguém visita um lugar abandonado há vinte e oito anos com corrente nova.

O pátio

O pátio é um mar de capim alto. À esquerda, a casa, com a varanda torta. Ao fundo, o celeiro, de porta meio caída. No meio de tudo, o poço, coberto por uma tampa de madeira escura. O sol já encosta no morro. Você calcula que tem uma hora de luz.

A casa

A porta cede com um gemido. Lá dentro, cheiro de mofo e de coisa guardada demais. Uma escada leva ao andar de cima. Atrás dela fica a cozinha. Num prego da parede, um calendário parado em maio de 1998.

O quarto de Raimundo

A cama está feita, como se ele fosse voltar a qualquer hora. No criado-mudo, uma gaveta emperrada.

Dentro, um caderno de contas. Você folheia com cuidado. Na última página, a letra apertada de Raimundo: “Aurélio quer que eu assine a venda do sítio. Não assino. Ele disse que então resolve de outro jeito.” Embaixo, uma data: 14 de maio de 1998. Você guarda o caderno.

A cozinha

Louça empilhada, uma panela com a tampa colada de ferrugem. Na mesa, uma cadeira foi puxada, só uma, e ela está limpa. Sem poeira nenhuma. Alguém se sentou aqui. Faz pouco tempo.

Pela janela, você vê o celeiro. E tem a impressão de que, por um instante, a porta dele se mexeu.

O celeiro

O ar lá dentro é quente e cheira a óleo de máquina, um cheiro novo demais para um lugar abandonado. Uma escada de madeira sobe até o jirau. No canto, uma bancada de ferramentas.

A bancada

Entre serras e enxadas, um prego segura um molho de chaves. Quase todas estão podres de ferrugem. Menos uma, pequena, de cadeado, que brilha de tanto óleo.

Você guarda a chave. Ela está limpa demais para ter vinte e oito anos.

O jirau

Lá em cima, no meio do feno velho, tem um colchão no chão, uma garrafa térmica e pontas de cigarro recentes. Alguém passa as noites aqui, e daqui se vê a estrada inteira.

Na parede de tábua, riscos de giz em grupos de cinco. Dezenas. Você para de contar quando passa de cem.

O poço

A tampa é de madeira grossa, fechada com um cadeado pequeno e novo. O capim em volta está pisado num caminho estreito, de quem vem aqui todo dia. Você encosta o ouvido na madeira. Lá embaixo, uma gota cai. Ou parece cair.

Sem a chave, o cadeado não cede. Quem fecha uma coisa dessas costuma deixar a chave por perto.

Dentro do poço

A chave gira macia. Você levanta a tampa e aponta a lanterna para baixo. A água está quase seca. No fundo, preso entre as pedras, aparece um pedaço de tecido xadrez e um relógio de pulso de couro rachado. A corda do balde é nova, bem trançada. Alguém desce aqui de tempos em tempos só para conferir se ele continua lá.

Você sobe com as mãos tremendo. No verso do relógio está gravado: R. Ventura, 1985. Você tira uma foto, e a única barra de sinal, justo na beira do poço, consegue mandar a imagem e a sua localização para a produtora. Quando você levanta os olhos, o sol já sumiu atrás do morro.

O vigia

A noite cai de uma vez. Um farol vem pela estrada e para na porteira. Uma figura magra, de chapéu, abre a corrente com a própria chave e atravessa o pátio sem pressa, lanterna na mão, sem procurar nada, como quem conhece cada pedra do chão.

Ele para a três passos de você. A voz é calma. Os olhos vão da sua lanterna até o poço.

— Boa noite, dona. Esse sítio é meu. Aurélio Ventura. A senhora está perdida?

Final: o vigia do poço

Aurélio fica parado. A luz da lua bate no relógio na sua mão e alguma coisa no rosto dele cede, como uma cerca velha.

— Ele não quis assinar — diz, baixinho. — Eu só queria que ele me ouvisse. A gente discutiu aqui mesmo, junto do poço. Ele me empurrou, eu empurrei de volta, e ele caiu. Eu devia ter chamado alguém. Tive medo. Na semana seguinte, o medo já tinha virado costume.

Você aperta o botão do gravador, ligado desde a porteira. A mensagem que você mandou da beira do poço já foi entregue à delegacia de Santa Rita. Quarenta minutos depois, duas viaturas sobem a estrada. Aurélio, sentado na beira do poço, não tenta fugir. Diz só que vigiou aquele lugar por vinte e oito anos porque sentia que Raimundo ainda ouvia tudo.

Os bombeiros tiram os restos ao amanhecer. O episódio vai ao ar duas semanas depois, com o nome “O vigia do poço”. Na noite da estreia, você revisa o áudio. Aos 23 minutos e 47 segundos, depois da confissão, uma terceira voz, baixa, colada no microfone, diz: “Obrigado.”

Você nunca descobre se foi o vento. Mas não corta esse trecho do episódio.

Final: o caso que nunca foi ao ar

Você tenta chegar ao carro, mas Aurélio já está entre você e a porteira.

— Ninguém vem aqui por acaso — diz ele, quase com carinho. — Vieram uns rapazes em 2009. Um casal em 2016. Todos acharam que a estrada era ruim e que o sinal não pegava.

Ele fecha a corrente por dentro. Você percebe, tarde demais, que não tem nada nas mãos. Nem o caderno, nem o relógio, nada que sustente a sua história. A última coisa que você vê é a lanterna dele apontada para o chão, para o caminho pisado até o poço.

Três semanas depois, seu carro é achado na estrada, trancado, com o gravador no banco. Ainda ligado. A fita tem horas de capim se mexendo ao vento e, bem no final, a sua voz, de longe, pedindo que alguém jogue a corda.

Em maio do ano seguinte, outra jornalista chega à porteira. A corrente é nova.

Dica: o sítio guarda três pistas, uma na casa, uma no celeiro e uma no poço. Com elas na mão, a conversa com o vigia muda.

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