Jogo de romance sombrio com vampiro: o retrato de Isabel

Jogo de romance sombrio com vampiro o retrato de Isabe

Quer jogar um jogo de vampiro online, com romance sombrio e mistério, direto no celular ou no computador, sem baixar nada? Então esse é para você.

Romance sombrio é aquele tipo de história em que o amor anda junto com o perigo. O par romântico é sedutor, mas esconde algo, e você nunca sabe até onde pode confiar. Aqui, esse par é Augusto Valverde, um vampiro que mora num casarão antigo em Ouro Preto.

Você é a Íris, uma restauradora contratada para sete noites de trabalho. O retrato que ela precisa restaurar parece muito com ela, e isso está longe de ser coincidência.

Explore o casarão, procure pistas e decida o que fazer. São três finais possíveis, e o que você descobrir muda tudo.

O jogo é gratuito, leva uns 10 a 15 minutos e funciona no celular. Boa sorte, e cuidado com o último olho do retrato.

O retrato de Isabel

Descobertas: o retratoo cadernoa valsa

Você é a Íris, restauradora de arte. O contrato chegou por carta, em papel grosso com cheiro de cera: sete noites de trabalho para recuperar um retrato do século XVIII, no Casarão Valverde, em Ouro Preto. O pagamento é três vezes o que você cobra. Só uma condição: trabalhar à noite, porque o dono não suporta a luz do dia.

Você chega debaixo de chuva, com as pedras da ladeira escorregando sob o carro. As janelas do casarão estão fechadas. Só uma luz acesa, no andar de cima, como um olho aberto.

A porta abre antes de a sua mão encostar. O homem é alto, pálido, de camisa escura aberta no colarinho. Parece ter trinta e cinco anos, com olhos de quem tem muitos mais.

— Íris. Você veio.

Você não disse seu nome na carta, e ele sabe. Ele nota o seu olhar e sorri de lado.

— Augusto Valverde. Entre, você está molhada.

Ele não estende a mão. Fica a um passo de distância, como quem sabe o efeito que tem nas pessoas, e espera você decidir.

O casarão

Você tem sete noites. Augusto nunca acende a luz elétrica, nunca come com você e some quando você relaxa. Aparece sempre que você precisa dele, e isso começa a incomodar. De dia você dorme num quarto de cortinas de veludo, com a sensação de ser observada. À noite, o casarão parece te chamar pelo nome.

Como você usa as noites?

O ateliê

O quadro ocupa a parede inteira, coberto por um pano de linho. Cavalete, tintas antigas e um pincel muito fino, ao lado de uma tela com apenas um olho ainda por pintar.

Uma mulher de vestido escuro e pescoço nu, com uma pequena cicatriz no queixo. A mesma cicatriz que você tem, e do mesmo lado. A plaquinha de latão diz: Isabel, 1791. Os olhos do retrato foram pintados com tanto cuidado que parecem acompanhar você pela sala.

A biblioteca

Estantes até o teto e um cheiro doce de papel velho. Numa mesa, um caderno de couro preto, fora do lugar, como se alguém o tivesse deixado ali para você achar.

São anotações de restauradores que passaram pelo casarão. A última é de Camila, 1998: Não termine o retrato. Quando se fecha o último olho, ele não nos deixa mais ir. Ele não mente, só deixa de dizer. E ele é gentil. É isso que assusta. A letra treme no fim da página.

O salão

Augusto toca com as costas retas e os olhos fechados. Quando você chega à porta, ele para sem se virar.

— Você sabe dançar? — pergunta. — Faz muito tempo que ninguém aceita.

Ele se levanta e estende a mão, devagar, com a palma para cima. Não chega perto. Espera.

Ele te conduz com tanta delicadeza que parece ter medo de te quebrar. A mão dele está fria, e o cheiro dele é de chuva e cera. No meio da valsa, ele se inclina na altura do seu pescoço e para. — Posso? — murmura. Você nega com a cabeça, e ele recua na mesma hora, com um sorriso triste. — Obrigado por dizer. Poucos dizem.

A sétima noite

O ateliê está iluminado por velas. Augusto está de pé ao lado do cavalete, com o pincel nas mãos, oferecendo-o a você. O último olho do retrato continua em branco, esperando.

— Falta só isso — diz ele, com a voz baixa. — Termine, e o trabalho acaba.

O olhar dele é de quem espera uma resposta há muito tempo.

Final: a tela em branco

Você coloca o pincel sobre o cavalete. Augusto fica imóvel.

— Camila escreveu isso, não foi? — diz ele. — Eu não menti, Íris. Só deixei de dizer.

— Então diga agora.

Ele respira fundo, o que não precisa fazer, e conta. Isabel foi pintada para não ser esquecida. O retrato nunca perdoou quem o terminou. Cada restauradora que fechou o último olho passou a viver dentro da tela, e ele aprendeu a chamar isso de companhia. Não era. Era uma prisão que ele mesmo mantinha, porque o casarão só o deixava sair quando alguém terminava a pintura.

Você impõe as suas condições: ele nunca entra no seu quarto sem convite, nunca usa a voz para te convencer, e vai pedir antes de cada vez. Augusto aceita cada uma delas, com os olhos baixos, e pela primeira vez parece ter medo de perder alguém.

O último olho do retrato nunca é pintado. De manhã, a tela inteira parece mais leve. A porta do casarão se abre sozinha, e ele atravessa a soleira sem desabar. À noite, na janela do seu quarto, ele pergunta: — Posso? E você, que podia dizer não, responde que sim.

Você assina o contrato de novo, agora com o seu nome completo. Dessa vez, escolhendo.

Final: o último olho

Você molha o pincel e fecha o olho do retrato. O traço sai perfeito, como se a sua mão soubesse o caminho. Por um instante, é bonito. Depois o ar sai do seu peito, e o ateliê fica enorme.

Augusto segura as suas mãos e não consegue segurar nada. — Eu disse que era só mais um olho — sussurra, e a voz dele quebra. — Eu não menti. Mas deixei de dizer.

Agora você vive na parede. Vê tudo: as velas, o cavalete, o homem que passa todas as noites e para na frente da tela. Ele conversa com você e pede desculpas. Fica horas, como quem não consegue ir embora. Toca piano para você, e você ouve cada nota.

Ele ainda te chama de Íris. É o único que nunca vai te esquecer.

Anos depois, uma carta chega a outra restauradora, em papel grosso com cheiro de cera. Há uma luz acesa no andar de cima.

Dica: o caderno de couro da biblioteca guarda um aviso. Vale procurar antes da sétima noite.

Final: a estrada de volta

Você pega a bolsa e sai pela porta da frente sem olhar para trás. Augusto não te segue. Fica na soleira, com o pincel na mão, e só diz: — Boa viagem, Íris.

O sol nasce quando você chega à estrada. Tem a sensação de ter escapado de algo, sem saber de quê.

Uma semana depois, chega uma carta, em papel grosso com cheiro de cera. Dentro, só um desenho a lápis: o seu rosto, dormindo, de uma noite em que você não lembra de ter dormido na frente dele. Embaixo, a letra elegante: Eu espero. Sou bom nisso.

Você queima a carta. No dia seguinte, chega outra.

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